O novo mundo em constante alvoroço e agitação social e tecnológica, constrói uma sociedade que cada vez mais exige novas formas de interacção e uma capacidade acrescida de adaptação por parte dos seus membros. Dando uma acrescida importância ao pensamento pró-activo, à inteligência emocional, às capacidade de inter-relacionamento e ao pensamento criativo, este novo mundo exige uma profunda revisão do papel do formador e o reposicionamento do formando no processo de aprendizagem.
Desde logo, o papel do formador, na sua função mais tradicional, aparece como um reprodutor de métodos de ensino, ecoando conteúdos de forma pouco estruturada e relacionada e dando pouca importância às experiências e necessidades dos formandos. Contudo, nos dias de hoje, exige-se ao formador a capacidade de mediação entre o formando e sociedade em constante desenvolvimento e, mais do que isso, que este não seja somente um reprodutor de conhecimento, mas antes um facilitador no processo de aprendizagem.
Assim, neste novo paradigma, o formando deverá também abandonar a sua posição passiva no processo de aprendizagem, e assumir a responsabilidade do seu desenvolvimento, devendo por isso controlar o seu próprio percurso de aprendizagem.
Adicionalmente, o processo de aprendizagem deve apoiar-se cada vez mais nas experiências dos seus intervenientes e na participação activa dos formandos. Este processo não é mais um passeio de autocarro, em que o formador define um itinerário (turístico) e vai comentando a viagem, falando da história e acontecimentos, mais ou menos comprovados, dos locais visitados. O formador deverá ser a força motivadora, deverá fornecer aos participantes mecanismos para definirem os seus próprios itinerários de aprendizagem e por fim entregar a chave, trocando por fim o lugar do condutor com o formando. O formando deverá ser por isso ser responsável pelo seu próprio destino intelectual e técnico.
Esta nova metodologia de ensino e participação exige agora que o formador se dote de novas ferramentas, não só do conhecimento técnico essencial, mas de capacidades de comunicação, e enriquecer a sua acção de uma maior predominância na intuição e na criatividade.
De certa forma, o formador torna-se um verdadeiro artista, necessitando de grandes capacidade de adaptação e comunicação para enfrentar diferentes públicos, com diferentes experiências de vida e sobretudo, diferentes perspectivas. Não é expectável que este tenha um conhecimento profundo e total da realidade, até porque, de tal forma, arriscaria a ficar rapidamente desactualizado, por um lado, a especializar-se demais, perdendo a capacidade de acrescentar valor no processo de aprendizagem do formando, que tem outros objectivos ou pretensões, por outro.
Acima de tudo, devemos ter em conta que o professor, formador ou tutor deixou de ser o grande proprietário do conhecimento, deixando o processo de ensino de ser um forma totalitária e absolutista de passagem de conhecimentos, em que a opinião do professor era lei. O formando tem agora, para além das suas valiosas experiências, o dever de ser opinativo e crítico. E dispondo de grandes bancos de informação livre, rápida e facilmente acessível deverá ser responsável pelo seu próprio destino. Estes novos poderes trazem novas responsabilidades.
Agora a sério. O formador nestes modos não faz nada. Se o formando deverá ser uma pessoa pró-activa e motivada, se a informação está ao seu dispor, se é ele o responsável pelo seu próprio processo de aprendizagem e é ele que tem todo o trabalho, o que faz o formador? Entretem?
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